02 outubro 2026

Projeto Zazen 2021 - REVISTA TURBOÉLICE

 

Minha fotografia é em grande parte resultado de andanças e coleções. Como na tradição do flâneur tenho nos passeios e viagens, um gosto por explorar o inesperado do caminho. O ciclismo é uma atividade rotineira que uso para manter a forma e mesmo para vagar em busca de imagens. Então, mesmos na minha rotina de treinos tenho mais dois hábitos complementares: sempre levar uma câmera e um caderno de notas. A escrita funciona como um ato de reflexão e até mesmo como uma meditação. Nessa rotina, faço uma hora de treino e depois escolho um lugar, preferencialmente gramado, para me sentar refletir, fazer minha agenda, planejar aulas ou projetos. Também é comum desenvolver algum projeto fotográfico despretensioso. 

Na rotina de 2021, a parada final acontecia quase sempre no mesmo local na praia de Camboinhas, região oceânica de Niterói. Sendo a praia um território pessoal de longa data. Um lugar à beira da praia onde me sentia tranquilo... Então, sem uma ideia pré-definida, fiz uma foto da vista à minha frente. Nada de especial, apenas mar, grama, arbustos e um pouco de areia. Nada grandioso, nenhuma grande composição... Era apenas uma paisagem que me afetava positivamente. No treino seguinte refiz a foto. E assim, fui refazendo a foto despretensiosamente. Quase nada significante mudava. Por outro lado, eu usava aquele espaço para organizar a mente, resolver questões ou simplesmente apreciar o momento presente. A paisagem quase não se alterava, mas eu sim. Então toda vez que finalizava meu treino naquele local fazia um registro. O projeto foi realizado durante ano 2021. Então a paisagem se acumulou em 64 fotos. Como momentos que se sobrepunham e mudanças imperceptíveis. Uma metáfora perfeita para o efeito de um estado meditativo.

 

@turboelicefoto

REVISTA TURBOÉLICE - FOTOGRAFIA EXPERIMENTAL

Revista 13

https://turboelicefotoexperimental.com.br/revista13/



15 setembro 2026

About Herbert

 

Fotógrafo e professor. O interesse pela fotografia nasce através do laboratório preto e branco nos meados dos anos oitenta em uma agência de fotojornalismo. Atuou primeiramente como fotógrafo documental, depois teve uma rápida passagem por agências de moda e publicidade. Junto com a fotografia descobriu seu gosto por ensinar, mudando da licenciatura em Matemática para o curso de Educação Artística, já com o objetivo de lecionar fotografia. A partir de 1992 começa a expor de forma contínua, em instituições como Universidade Federal Fluminense, SESC, MAC e Centro Cultural de São Paulo. Nos anos noventa se torna docente do curso profissionalizante de fotografia do SENAC e atua, posteriormente, como um dos coordenadores do curso técnico, até 2005. Pós-graduado em Comunicação e Imagem pela PUC-RJ (2001). Participa de 2015 à 2023 do grupo de fotografia Contemporânea da Sociedade Fluminense de Fotografia. Atualmente desenvolve seus projetos de pesquisa, fotográficos, colabora com as atividades do Turboélice e além de atua como professor de Artes no município de Petrópolis.


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